Comentários


 

Pergunta

Em Portugal, o peso das empresas nas despesas de I&D é de apenas 1/3, cabendo a responsabilidade dos restantes 2/3 ao Estado. Parece, portanto, que o esforço público em I&D é já suficiente, seja através da Investigação Fundamental, da Formação de RH ou dos incentivos fiscais concedidos às empresas inovadoras.

É observável, neste momento, algum reforço da importância do sector privado neste esforço de modernização nacional? Como fazer com que as empresas portuguesas arrisquem (e invistam!) mais, uma vez que é crucial a sua participação no processo de catching-up tecnológico (e portanto económico) com os países mais desenvolvidos?

Resposta

De facto a estrutura do sistema de C&T em Portugal está bastante dominada pelo Estado, ao contrário do que se passa na maioria dos países da OCDE. No entanto estes valores têm de ser analisados também em termos absolutos, para os quais importa lembrar que o esforço nacional em I&D é ainda 1/3 da média europeia. De forma análoga, a percentagem de protugueses envolvidos em I&D é ainda cerca de 1/3 do valor que caracteriza a média europeia. Ainda neste contexto, importa também relembrar que a análise histórica dos países mais industrializados da OCDE, como por exemplo os EUA, mostra que a I&D empresarial só tem sido relevante após um grande esforço público de I&D. Por exemplo, no caso americano, o somatório de toda a I&D pública ao longo do sec XX é ainda superior ao somatório anual da I&D empresarial, apesar deste valor anual ser superior ao valor financiado pelo Estado desde os anos 80.

Estes valores parecem mostrar que o actual esforço público em I&D em Portugal ainda não é suficiente, pelo menos em termos do modelo seguido pela média da OCDE. No entanto, é obvio que a convergência para esses valores médios requer um grande esforço privado, o qual tem crescido em Portugal às mais elevadas taxas da OCDE desde os últimos 5 anos. O modo como se pode promover o seu crescimento a taxa anda mais elevadas é naturalmente um problema complexo, que passa pela evolução das empresas na cadeia de valor e pela necessidade de produzir mais e melhor, garantido naturalmente o desenvolvimento e comercialização de produtos mais complexos e de maior valor acescentado. O processo de sofisticação tecnológica que poderá levar a uma necessidade de aumentar o I&D empresarial é fortemente não linear, e está naturalmente associado à necessidade de envolver as empresas nacionais em redes internacionais de comercialização e distribuição. Para uma discussão mais detalhda, aconselho a análise dos documentos disponíveis em: http://in3.dem.ist.utl.pt/laboratories/policy.html