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Pergunta

Os campos electromagnéticos podem causar perturbações ou doenças nos seres humanos?

Resposta

As perturbações causadas por campos electromagnéticos dependem de três aspectos: intensidade e frequência do campo e tempo de exposição a esse mesmo campo. O espectro de frequências vai desde as ondas muito longas e de baixa frequência (geradas, por exemplo, nas linhas de fornecimento eléctrico) até aos muito energéticos (e de altíssima frequência) raios Gama. Campos de baixa frequência muito intensos (e note-se que a intensidade sentida é tanto maior quanto a proximidade à fonte) geram correntes (movimentos de carga eléctrica) indesejados dentro do organismo. Sabendo que o sistema nervoso funciona como um conjunto de circuitos eléctricos, percebe-se que possa haver efeitos negativos a este nível. No entanto, no dia-a-dia as pessoas não estão sujeitas a este tipo de campo. Acima nas frequências estão as ondas de rádio a que se aplicam as mesmas considerações, tal como às ondas de telemóveis (a seguir no espectro de frequência) só que neste caso a proximidade à fonte é muito grande. Ainda não há consenso quanto aos seus efeitos: se por um lado as intensidades envolvidas são grandes, por outro o poder de penetração destas ondas nos tecidos não parece ser grande. De qualquer modo as dores de cabeça sentidas por muitos utilizadores em conversas longas devem querer dizer alguma coisa... Acima estão as microondas cujas frequências são particularmente eficazes em provocar agitação nas moléculas de água, gerando o seu aquecimento (é este o princípio dos fornos). Se tivermos em conta que somos 70% de água... Em geral não estamos sujeitos a este tipo de campos. Depois vêm os infravermelhos (IV) que essencialmente aquecem e, logo a seguir, a luz visível que, quando muito intensa, pode lesionar a retina. Logo acima, os ultravioletas (UV) são particularmente perigosos, susceptíveis de provocar mutações que podem conduzir a cancro. O ozono da atmosfera absorve este tipo de raios provenientes do Sol, reduzindo a quantidade que atinge o solo. Nas altas frequências, mais energéticos e mais perigosos, estão os raios X e os raios Gama, que provocam lesões ao nível genético (acarretando risco de cancro e malformações na descendência) e de queimaduras. Os primeiros são emitidos nas radiografias e por materiais radioactivos, nomeadamente o urânio existente no subsolo de algumas regiões nacionais. Os raios Gama são essencialmente provenientes da radiação cósmica que é filtrada pela atmosfera. Nestes dois casos as doses a que estamos expostos no quotidiano não são perigosas.