Comentários


 

Pergunta

Gostaríamos de saber mais sobre a evolução das pesquisas no planeta Marte.

Resposta

Marte é, depois da Terra, seguramente o objecto do Sistema Solar mais estudado. É também, de todos os planetas, o mais parecido com o nosso. A exploração de Marte com recurso a sondas começou nos anos 60. O primeiro programa global de observação foi o da Mariner 9 em 1971, mas a missão Viking (1976) foi a mais bem sucedida em termos de retorno científico, com dois orbitadores e dois módulos de aterragem.

Até hoje nunca houve nenhuma missão tripulada, nem haverá no futuro próximo. Recentemente Marte e a Terra passaram nos pontos mais próximos das suas órbitas, e essa oportunidade foi usada para lançar uma série de missões. A partir de 2003 será lançada uma nova série, que inclui a missão europeia Mars Express-Beagle 2, a primeira que poderá vir a ter uma participação portuguesa ao nível da análise dos resultados científicos (Portugal é agora membro da Agência Espacial Europeia).

Marte é um mundo, e há um mundo de pesquisas que sobre ele se podem fazer. As mais importantes relacionam-se com a geologia da superfície e com a possibilidade da existência de água líquida, que é a condição essencial para o desenvolvimento e existência de vida. Até hoje nunca se detectou água líquida, embora exista gelo de H2O nas calotes polares (estas são, no entanto, constituídas maioritariamente por dióxido de carbono- CO2 - no estado sólido). Contudo pensa-se que outrora correu água na superfície de Marte. Para onde foi essa água ? Não sabemos. Suspeita-se que possa ter-se acumulado em reservatórios subterrâneos.

Alguns resultados recentes importantes são sobre:
- a cartografia completa do planeta, que está a ser realizada pela sonda Mars Global Surveyor. Isto tem revelado detalhes da superfície com uma precisão (o termo correcto em astronomia é resolução) impressionante. Nalguns locais foram detectadas formações geológicas recentes em ravinas. Isso leva-nos a pensar que por vezes talvez ainda possa brotar água para a superfície;
- o melhor conhecimento da atmosfera e da sua composição e meteorologia, incluindo as monstruosas tempestades de areia que por vezes varrem o planeta a uma escala inimaginável em termos terrestres. Já é possível simular em computadores a circulação da atmosfera, mas estes modelos têm de ser calibrados com observações;
- a composição da superfície em termos mineralógicos. Por exemplo, a detecção de carbonatos nas rochas pode indiciar locais onde outrora correu água líquida;
- a ocorrência de vulcanismo no passado (Marte tem o maior vulcão - agora extinto- do Sistema Solar) e a sua relação com a geologia do planeta;
- a perda do campo magnético nalguma época passada, o que pode ter levado à perda da atmosfera, "levada" pelo vento solar. De facto, pensa-se que no passado a atmosfera era mais densa.
- a possibilidade (não confirmada) de certas formações de dimensão microscópica, detectadas no meteorito ALH-84001, resultarem de actividade biológica.

Estes são apenas alguns exemplos de estudos que respondem a questões passadas mas levantam muitas outras. A missão Mars Express-Beagle 2 contém também uma sonda de aterragem que possui um braço robótico e uma série de instrumentos destinados a detectar a presença de vida microbiana à superfície.

Vamos esperar para ver...